sexta-feira, 7 de novembro de 2008

*Maio*



Existem marcas por todas as laudas,
O equívoco de dor te puxou de novo.
Nossos governantes não ligam, amor;
E todas as laudas têm sangue, meu sangue.

A métrica novamente me condena, tolice.
Uma fome de exagero corre pelas ruas,
Nossos governantes não ligam, amor.
Ontem mesmo morreu um amigo...

Em mim o sangue foge, corre, some.
Meu olhar esgueira o teu, é o fim, amor.
Mas as palavras de demagogos viverão;
Equivocada você se joga em leis orientais.

O sangue ainda escorre pelas pernas,
Minhas mãos tentam segurá-lo,
Os policiais te levam
Eu fico aqui...e isso já faz 40 anos.


By Camila Passatuto


(Obs¹: leiam sobre maio de 1968, também sobre protestos na França e EUA e os movimentos estudantis. Porque a história ainda vive.Obs²: a palavra Demagogo, usada no texto, está no seu significado primitivo de origem grega.)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

*Escrita 200*


Pelas ruas de Havana deixo um rastro de sangue
A saudade que aquela menina plantou em mim...
Os homens procuram abrigo em livros sagrados.
Os homens esqueceram das meninas de Havana.

A saudade que aquela menina plantou em mim...
Deus aponta para o céu e te mostra a salvação,
Eu miro uma arma arcaica, meu inimigo cai, a morte.
Pelas praças o grito de recolher, o gozo de uma saudade.

Ela anda sozinha pelo cinza de Havana, linda e estranha.
A rua deserta...um grito, um giro, um livro sob seus pés,
Os homens procuram abrigo em livros sagrados, homens.
A menina me procura entre suas pernas, entre, suas mãos.

Pelas lembranças de soldados, uma revolução vermelha;
Eu tinha uma saudade, uma arma, uma mira, uma virgem.
A saudade que a guerra gerou, um amor em Havana, um livro.

A menina hoje dorme, sente dor. Minha alma a ama sem qualquer pudor.



By Camila Passatuto

terça-feira, 22 de julho de 2008

*Poema sem rimas*


Minha ausência é cristalina, sem perdão.
As mãos cansadas de escrever, sem carinho.
Meu olhar descreve o meu ser, sem fugacidade.
As bocas querem, as palavras também, ainda.

Verso que não faz sentido me deixa solta.
Sem motivos para cantarolar meus pêsames,
Mato então meu pardal, doce pardal, sem perdão.
Sem carinho, as bocas querem, sem fugacidade.

Um motivo sólido que se perde, as mãos cansadas;
Minha vontade de escrever se perde na vontade...
Cristalina minha ausência, então serei rei risonho.
Repedindo palavras, largado, aqui sou mais um...

E longe das palavras
Da métrica desnuda
Das mentiras de poeta
Vivemos sem viver...Na paz!


By Camila Passatuto

domingo, 29 de junho de 2008

*O que se fala, o que se passa...(coração de poeta)*


Sei o segredo para conquistar grande platéia,
Tenho que ser ridículo e falar coisas tão simples,
Porém o que há em minha alma: dizeres estranhos,
Frases confusas, pensamentos encarnados, o mal...

Sei o segredo para ser estupidamente feliz,
Tenho que adorar o conformismo e minha família,
Mas quero novas línguas e o deserdar de meu pai.
Desejo uma cínica mudança, sua cínica malicia.

E acabo sempre assim, fazendo o que se pode.
O que se pode ser entendido...
Lido...
Relido...

Quero uma coragem que me transcenda
Quero ser o que apenas sei ser:
Distante, nevoado, calmo, dramático...

Deus, quero esquecer céticos segredos...


Bay Camila Passatuto

sábado, 7 de junho de 2008

*Às Musas...*


Arremesse-me ao chão e diga palavras duras,
Essa é a minha melhor musa, desvia o olhar.
São escadas rolantes e eu tropecei em você,
Várias dessas passaram por mim, então escrevi.

Às que se aproximam e às que se afastam, escrevo.
Um corte mais leve uma palavra mais amarga assim.
Se passou o trem e você não embarcou, eu faço um poema.
E em mim uma angústia permanece, mas escrevo...

Manche o lençol com minhas feridas e será nova musa,
Permaneça quieta diante de meu desespero, será musa.
Os arames no canto da sala e desconheço o que sou.
Um conselho, dois conselhos e escrevo porque assim sou.

Arremesse-me ao chão e diga palavras duras,
Essa é a minha melhor musa, desvia o olhar.
Não sei me calar e o melhor é fazer assim:
Eu vou me inspirar em você...


By Camila Passatuto

sexta-feira, 23 de maio de 2008

LSD



Gotas de tinta caem sobre mim,
A poltrona frenética me assusta.
Depois da janela, compasso inusitado,
Movimento solitário verde rosa azul.

Gotas de tinta molham a cama,
O gozo toma conta do papel.
Mistura açúcar e tudo acaba
A tv ligou e desligou, estranho.

Ofício das letras aglomeradas...
Mulheres em minha cama, lilás.
Cruz de malta em meus seios,
Seita da luz e da noite.

Movimento solitário inusitado,
Lágrimas sociais antropológicas.
Lispector, Shakespeare, Drummond

A poltrona e um livro dançante...

By Camila Passatuto



quinta-feira, 8 de maio de 2008

*Pedidos e Vontades*


Não posso te dar a mão e nem quero te abraçar,
Vou repousar sobre você sádicas palavras, desculpa.
Gritou socorro, ignorei, pensei, e agora meu desdém.
Feche os olhos, mas venha receber sua salvação.

Minha falsa virgindade acalma seu espírito, indeciso.
Não posso te salvar e nem quero te carregar, escuta.
Suplicou e mesmo assim aqui estou, escrevo você,
Não descanse seu cinismo em copos descartáveis.

Procuro uma palavra que te faça leve e feliz
Insisto em devaneio solto, perigoso, exorcista...
Não posso te humilhar e nem quero te ver no chão.
Piedade, piedade e venha ler-me todos os dias...

Sou esconderijo de mariposas e ratos
Versos sem rimas textos atemporais
Perdoe-me se o sangue não é meu
Mas venha ler-me todos os dias...


By Camila Passatuto

quinta-feira, 24 de abril de 2008

*Estranho*


Acho estranho acordar toda madrugada e sair...
Passeio, entre tigres solitários, sem preocupação
Mas o perigo mora em mim, meu maior inimigo.

Me autodestruí em noites pálidas e sufocantes
Restou uma batida que não ecoa, restou o nada.
Compreendo a dor de uma mãe, o sangue ali...

Às vezes fujo de meu tempo e vivo escondido ,
Detenho em mim fraqueza e repulsa, assim vivo.
Acho estranho deitar no chão frio mas esse chão é o meu chão...


By Camila Passatuto

domingo, 30 de março de 2008

*Noite*




O que estão achando da nova mentira?
Camuflei-me de sinceridade e caminhei,
Alguns ativistas estão me caçando, alguns...
Ainda há dor entre muitos pensamentos.

Do que estão gozando dentro da boa nova?
Só me droguei para espantar o mau hálito.
Senti uma ânsia de deixar seu colo e partir,
Mas a estreita vantagem de viver me persegue...

Diante de um poder risonho e límpido,
Ao lado de meninas e meninos doentes
Comandando um exército de melodrama...
Eu cairei no chão e contarei meus medos.

Após a decadência de um povo medíocre
O meu sorriso será salvação egocêntrica.
Alguns ativistas estão me caçando, alguns...
Olhe o que achei: um cd do Radiohead e uma foto do Raul.



By Camila Passatuto




Bloqueando a seleção de texto em um site



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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

*Interna Nº521*



Mãe, sabe aquela música que ouvíamos?
Não tocou mais aqui na vitrola velha...
E lembra das tardes com nuvens rosas?
Está tudo tão cinza, mãe, tudo tão cinza.


Mentes esfoliadas pelo tempo me julgam,
Minha profissão envergonha meus filhos.
A terra secou e com ela minha branca pele...
Mãe sabe meu cabelo? Caiu, feito lágrima.

Eu e meu amor deitamos no meio da rua,
Mas ainda ficou algo cru e frio por fazer.
Mãe, ela não é mais meu amor, esquece...
Está tudo tão cinza, mãe, tudo tão cinza.

Esconderijo de soldados e prostitutas...
Altar para minhas doces drogas injetáveis.
Mãe, não deixe que me levem amarrada...
E sabe aquela música? Eu nunca ouvi...


By Camila Passatuto

domingo, 3 de fevereiro de 2008

*Fim de Amor*


Minha última chance estava ali bem adiante.
O aeroporto te espera estático e antipático,
Minhas pernas tremiam pedindo para correr.
E eram nossos últimos beijos, inebriantes...

Boca rosada, olhos azuis, voz mimada, você.
Para nunca mais te ver, mas estava eu ali...
Lágrimas e risos eu lhe ofereci, uma aliança?
Para selar algo, que coragem faltou em anos.

O aeroporto te espera estático e antipático,
A hora chegou e seus passos me matam...
A cada segundo uma distância
Corro, te paro, toco tua mão e entrego minha alma...

Sussurro - Não precisa um dia voltar, mas vá.
Um sorriso bobo,
Uma meia volta,
Vá nessa, amor,


Te vejo nas férias de junho...


By Camila Passatuto

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

*Passos e Acasos*


Já falei de amores perdidos e dores incuráveis,
As dores passaram e os amores eram falsos.
Já gritei sobre a angústia e cuspi rancor por ai,
Jurei sentimentos que hoje não me servem mais.

Andei pela estrada com pulsos cortados,
Pulei de pontes e quebrei um anjo ao meio,
Arrumei a garagem e bebi muita gasolina.
Dormi ao lado de Orfeu desejando Afrodite.

Poetizei meus vícios, minhas mentiras, poetizei.

Sonhos psicodélicos me motivaram, oh Calíope!
Meninas me inspiraram e me deram seu mel.
Mulheres seguraram minhas mãos e meu lápis.
Já cometi, omiti, escolhi, escrevi apenas vivi...


By Camila Passatuto



*Calíope foi uma das nove musas da mitologia grega. Filha de Zeus e Mnemósine.

domingo, 13 de janeiro de 2008

*Você fala rápido demais, menina*



Uma loucura, agora não sei onde te encontrar.
Uma madrugada rápida e um olhar sincero...
Não me pertence a pele delicada e sua boca.
Fotos tatuadas em meus ombros e muita fome.

Sentimento proibido e uma vontade de ser feliz,Poderia imaginar nosso futuro e poucas lágrimas...
Mas o caminho nostálgico te leva à sua rainha.
Uma madrugada rápida e você nunca mais aqui.

Hoje é um verso quebrado
Uma tosca inspiração,
Minha procura carnavalesca pela menina.
Uma loucura que grito toda noite: Julia Julia Julia!


“-Mais uma dose e comprimidos?
Camila, acho que você exagera sempre
Seus versos, seus vícios e seus amores“.
Frase de uma amiga que me inspirou o post.


By Camila Passatuto

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

*Perder Você*



A voz não é a mesma e os olhos inchados demais.
A fraca surpresa jorrou pela mesa do bar ao te ver,
Mão trêmula, minha paz assusta tua alma, amor.
Janelas fixas confundem a visão, você foge, inútil.

Posso sentir o grito...
Próximo quarteirão é lá...

Percorrer minha insanidade em passos leves.
O grito ecoa feito um vai e vem de infância,
Mão trêmula, só mais um passo e o grito...
Fugiu de palavras remediáveis.

Posso ver o grito...
Próximo passo é aqui...

A voz não é a mesma e os olhos inchados demais.
A fraca surpresa jorrou pela cidade ao te ver caída...
Sangue quente, meu abraço medonho e forçado.
A respiração parou...Agora pode continuar, amor.


By Camila Passatuto