Sábado, 18 de Abril de 2009

*Aos*


Família de camaleão, corpo desliza, dança, reclama.
O aluno fala, não pode falar. Não pode pensar, não!
Século do 21, tenho apenas 20, mas penso , amor.
Mãe, chame a dona liberdade para quebrar as correntes.

Correntes de tecnologias, redes sociais, mestres podres.
Ensino de apostilas, ensino de maus dizeres, mestre podre.
Os olhos de inocentes brilham no cristal, a alma reclama.
Quebre uma regra e caminhe ao meu lado, sempre ao lado.

Mãe, não sei trabalhar, não tenho forças, não sei mentir...
Nasci para anotar o que é fugaz, nasci para não cumprir...
O aluno foge e queima, o batalhão em motim, eu recebo.
Sem melhores grifes, eu escolho os artistas pobres e inseguros...

Eu escolho os melhores...


By Camila Passatuto

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

*Dúvidas e respostas que lhe emendavam o espírito e as náuseas de uma vida inútil e decepcionante. *(Monick Dallia)


O guarda-chuva e sua inutilidade me acompanham.
Os pés molhados e um pensamento inquieto, ando.
A cidade é de agora é de garoa é de garotas tristes.
Nenhum gesto me condena, a pele rasgada, sim...

O romantismo soterrado, pós-modernismo se quer,
O mal do século é das meninas, sumir-se, comer-se.
Nenhum gesto poetiza os carros, perco sangue, sumo.
Resumo as políticas, socializo a dor, comunismo ardor.

O mal do século cospe o que sobrou, a chuva se molha.
Passos descalços, o barulho de buzinas, o silêncio...
Pratear minhas mãos, existe injustiça nos verbos, amar.
E a cidade é de agora, é de garoa que as garotas insistem.

Nota: O título do poema foi retirado de um texto proíbido, imerso em perfeição poética, que me faz chorar a cada lida. A autora é ainda uma escritora de gaveta e o texto não está na rede, lamentável.
By Camila Passatuto

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

*Adeus*


O instante quebrou meus ossos, mãe, dói tanto.
Poetizar agora é tão difícil, está tão varonil isso.
Os dedos atrofiados pela incumbência, e agora?
Acabaram os sonhos e o sangue escorre aqui.

O corpo todo exibe feridas e meu mau cheiro,
A garota sente medo, acabaram os sonhos, aqui.
Em palavras, em insulinas...Dorme a emoção...
O poeta chora, pois agora é tão difícil se drogar.

Mãe, peço para que tranque a porta e os expulse.
O momento é cicatriz, o momento é solidão, mãe.
Deixe as palavras da revolução comigo, eu morro.
O meu sangue é mais vermelho, minha fé azul, azul.

Aos meus filhos: a minha face quebrada, desculpe.
Aos leitores: uma estranha emoção descontente;
Ao meu amor: os livros perdidos da alma de Poe;
À minha vida: as palavras ainda não ditas, amém.


By Camila Passatuto

Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

*Maio*



Existem marcas por todas as laudas,
O equivoco de dor te puxou de novo.
Nossos governantes não ligam, amor;
E todas as laudas têm sangue, meu sangue.

A métrica novamente me condena, tolice.
Uma fome de exagero corre pelas ruas,
Nossos governantes não ligam, amor.
Ontem mesmo morreu um amigo...

Em mim o sangue foge, corre, some.
Meu olhar esgueira o teu, é o fim, amor.
Mas as palavras de demagogos viverão;
Equivocada você se joga em leis orientais.

O sangue ainda escorre pelas pernas,
Minhas mãos tentam segurá-lo,
Os policiais te levam
Eu fico aqui...e isso já faz 40 anos.


By Camila Passatuto


(Obs¹: leiam sobre maio de 1968, também sobre protestos na França e EUA e os movimentos estudantis. Porque a história ainda vive.Obs²: a palavra Demagogo, usada no texto, está no seu significado primitivo de origem grega.)

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

*Escrita 200*


Pelas ruas de Havana deixo um rastro de sangue
A saudade que aquela menina plantou em mim...
Os homens procuram abrigo em livros sagrados.
Os homens esqueceram das meninas de Havana.

A saudade que aquela menina plantou em mim...
Deus aponta para o céu e te mostra a salvação,
Eu miro uma arma arcaica, meu inimigo cai, a morte.
Pelas praças o grito de recolher, o gozo de uma saudade.

Ela anda sozinha pelo cinza de Havana, linda e estranha.
A rua deserta...um grito, um giro, um livro sob seus pés,
Os homens procuram abrigo em livros sagrados, homens.
A menina me procura entre suas pernas, entre, suas mãos.

Pelas lembranças de soldados, uma revolução vermelha;
Eu tinha uma saudade, uma arma, uma mira, uma virgem.
A saudade que a guerra gerou, um amor em Havana, um livro.

A menina hoje dorme, sente dor. Minha alma a ama sem qualquer pudor.



By Camila Passatuto

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

*Poema sem rimas*


Minha ausência é cristalina, sem perdão.
As mãos cansadas de escrever, sem carinho.
Meu olhar descreve o meu ser, sem fugacidade.
As bocas querem, as palavras também, ainda.

Verso que não faz sentido me deixa solta.
Sem motivos para cantarolar meus pêsames,
Mato então meu pardal, doce pardal, sem perdão.
Sem carinho, as bocas querem, sem fugacidade.

Um motivo sólido que se perde, as mãos cansadas;
Minha vontade de escrever se perde na vontade...
Cristalina minha ausência, então serei rei risonho.
Repedindo palavras, largado, aqui sou mais um...

E longe das palavras
Da métrica desnuda
Das mentiras de poeta
Vivemos sem viver...Na paz!


By Camila Passatuto

Domingo, 29 de Junho de 2008

*O que se fala, o que se passa...(coração de poeta)*


Sei o segredo para conquistar grande platéia,
Tenho que ser ridículo e falar coisas tão simples,
Porém o que há em minha alma: dizeres estranhos,
Frases confusas, pensamentos encarnados, o mal...

Sei o segredo para ser estupidamente feliz,
Tenho que adorar o conformismo e minha família,
Mas quero novas línguas e o deserdar de meu pai.
Desejo uma cínica mudança, sua cínica malicia.

E acabo sempre assim, fazendo o que se pode.
O que se pode ser entendido...
Lido...
Relido...

Quero uma coragem que me transcenda
Quero ser o que apenas sei ser:
Distante, nevoado, calmo, dramático...

Deus, quero esquecer céticos segredos...


Bay Camila Passatuto

Sábado, 7 de Junho de 2008

*Às Musas...*


Arremesse-me ao chão e diga palavras duras,
Essa é a minha melhor musa, desvia o olhar.
São escadas rolantes e eu tropecei em você,
Várias dessas passaram por mim, então escrevi.

Às que se aproximam e às que se afastam, escrevo.
Um corte mais leve uma palavra mais amarga assim.
Se passou o trem e você não embarcou, eu faço um poema.
E em mim uma angústia permanece, mas escrevo...

Manche o lençol com minhas feridas e será nova musa,
Permaneça quieta diante de meu desespero, será musa.
Os arames no canto da sala e desconheço o que sou.
Um conselho, dois conselhos e escrevo porque assim sou.

Arremesse-me ao chão e diga palavras duras,
Essa é a minha melhor musa, desvia o olhar.
Não sei me calar e o melhor é fazer assim:
Eu vou me inspirar em você...


By Camila Passatuto

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

LSD



Gotas de tinta caem sobre mim,
A poltrona frenética me assusta.
Depois da janela, compasso inusitado,
Movimento solitário verde rosa azul.

Gotas de tinta molham a cama,
O gozo toma conta do papel.
Mistura açúcar e tudo acaba
A tv ligou e desligou, estranho.

Ofício das letras aglomeradas...
Mulheres em minha cama, lilás.
Cruz de malta em meus seios,
Seita da luz e da noite.

Movimento solitário inusitado,
Lágrimas sociais antropológicas.
Lispector, Shakespeare, Drummond

A poltrona e um livro dançante...

By Camila Passatuto



Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

*Pedidos e Vontades*


Não posso te dar a mão e nem quero te abraçar,
Vou repousar sobre você sádicas palavras, desculpa.
Gritou socorro, ignorei, pensei, e agora meu desdém.
Feche os olhos, mas venha receber sua salvação.

Minha falsa virgindade acalma seu espírito, indeciso.
Não posso te salvar e nem quero te carregar, escuta.
Suplicou e mesmo assim aqui estou, escrevo você,
Não descanse seu cinismo em copos descartáveis.

Procuro uma palavra que te faça leve e feliz
Insisto em devaneio solto, perigoso, exorcista...
Não posso te humilhar e nem quero te ver no chão.
Piedade, piedade e venha ler-me todos os dias...

Sou esconderijo de mariposas e ratos
Versos sem rimas textos atemporais
Perdoe-me se o sangue não é meu
Mas venha ler-me todos os dias...


By Camila Passatuto

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

*Estranho*


Acho estranho acordar toda madrugada e sair...
Passeio, entre tigres solitários, sem preocupação
Mas o perigo mora em mim, meu maior inimigo.

Me auto-destruí em noites pálidas e sufocantes
Restou uma batida que não ecoa, restou o nada.
Compreendo a dor de uma mãe, o sangue ali...

Às vezes fujo de meu tempo e vivo escondido ,
Detenho em mim fraqueza e repulsa, assim vivo.
Acho estranho deitar no chão frio mas esse chão é o meu chão...


By Camila Passatuto

Domingo, 30 de Março de 2008

*Estão me Caçando*




O que estão achando da nova mentira?
Camuflei-me de sinceridade e caminhei,
Alguns ativistas estão me caçando, alguns...
Ainda há dor entre muitos pensamentos.

Do que estão gozando dentro da boa nova?
Só me droguei para espantar o mau hálito.
Senti uma ânsia de deixar seu colo e partir,
Mas a estreita vantagem de viver me persegue...

Diante de um poder risonho e límpido,
Ao lado de meninas e meninos doentes
Comandando um exército de melodrama...
Eu cairei no chão e contarei meus medos.

Após a decadência de um povo medíocre
O meu sorriso será salvação egocêntrica.
Alguns ativistas estão me caçando, alguns...
Olhe o que achei: um cd do Radiohead e uma foto do Raul.



By Camila PAssatuto