Domingo, 29 de Junho de 2008

*O que se fala, o que se passa...(coração de poeta)*


Sei o segredo para conquistar grande platéia,
Tenho que ser ridículo e falar coisas tão simples,
Porém o que há em minha alma: dizeres estranhos,
Frases confusas, pensamentos encarnados, o mal...

Sei o segredo para ser estupidamente feliz,
Tenho que adorar o conformismo e minha família,
Mas quero novas línguas e o deserdar de meu pai.
Desejo uma cínica mudança, sua cínica malicia.

E acabo sempre assim, fazendo o que se pode.
O que se pode ser entendido...
Lido...
Relido...

Quero uma coragem que me transcenda
Quero ser o que apenas sei ser:
Distante, nevoado, calmo, dramático...

Deus, quero esquecer céticos segredos...


Bay Camila Passatuto

Sábado, 7 de Junho de 2008

*Às Musas...*


Arremesse-me ao chão e diga palavras duras,
Essa é a minha melhor musa, desvia o olhar.
São escadas rolantes e eu tropecei em você,
Várias dessas passaram por mim, então escrevi.

Às que se aproximam e às que se afastam, escrevo.
Um corte mais leve uma palavra mais amarga assim.
Se passou o trem e você não embarcou, eu faço um poema.
E em mim uma angústia permanece, mas escrevo...

Manche o lençol com minhas feridas e será nova musa,
Permaneça quieta diante de meu desespero, será musa.
Os arames no canto da sala e desconheço o que sou.
Um conselho, dois conselhos e escrevo porque assim sou.

Arremesse-me ao chão e diga palavras duras,
Essa é a minha melhor musa, desvia o olhar.
Não sei me calar e o melhor é fazer assim:
Eu vou me inspirar em você...


By Camila Passatuto

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

LSD



Gotas de tinta caem sobre mim,
A poltrona frenética me assusta.
Depois da janela, compasso inusitado,
Movimento solitário verde rosa azul.

Gotas de tinta molham a cama,
O gozo toma conta do papel.
Mistura açúcar e tudo acaba
A tv ligou e desligou, estranho.

Ofício das letras aglomeradas...
Mulheres em minha cama, lilás.
Cruz de malta em meus seios,
Seita da luz e da noite.

Movimento solitário inusitado,
Lágrimas sociais antropológicas.
Lispector, Shakespeare, Drummond

A poltrona e um livro dançante...

By Camila Passatuto



Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

*Pedidos e Vontades*


Não posso te dar a mão e nem quero te abraçar,
Vou repousar sobre você sádicas palavras, desculpa.
Gritou socorro, ignorei, pensei, e agora meu desdém.
Feche os olhos, mas venha receber sua salvação.

Minha falsa virgindade acalma seu espírito, indeciso.
Não posso te salvar e nem quero te carregar, escuta.
Suplicou e mesmo assim aqui estou, escrevo você,
Não descanse seu cinismo em copos descartáveis.

Procuro uma palavra que te faça leve e feliz
Insisto em devaneio solto, perigoso, exorcista...
Não posso te humilhar e nem quero te ver no chão.
Piedade, piedade e venha ler-me todos os dias...

Sou esconderijo de mariposas e ratos
Versos sem rimas textos atemporais
Perdoe-me se o sangue não é meu
Mas venha ler-me todos os dias...


By Camila Passatuto

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

*Estranho*


Acho estranho acordar toda madrugada e sair...
Passeio, entre tigres solitários, sem preocupação
Mas o perigo mora em mim, meu maior inimigo.

Me auto-destruí em noites pálidas e sufocantes
Restou uma batida que não ecoa, restou o nada.
Compreendo a dor de uma mãe, o sangue ali...

Às vezes fujo de meu tempo e vivo escondido ,
Detenho em mim fraqueza e repulsa, assim vivo.
Acho estranho deitar no chão frio mas esse chão é o meu chão...


By Camila Passatuto

Domingo, 30 de Março de 2008

*Estão me Caçando*




O que estão achando da nova mentira?
Camuflei-me de sinceridade e caminhei,
Alguns ativistas estão me caçando, alguns...
Ainda há dor entre muitos pensamentos.

Do que estão gozando dentro da boa nova?
Só me droguei para espantar o mau hálito.
Senti uma ânsia de deixar seu colo e partir,
Mas a estreita vantagem de viver me persegue...

Diante de um poder risonho e límpido,
Ao lado de meninas e meninos doentes
Comandando um exército de melodrama...
Eu cairei no chão e contarei meus medos.

Após a decadência de um povo medíocre
O meu sorriso será salvação egocêntrica.
Alguns ativistas estão me caçando, alguns...
Olhe o que achei: um cd do Radiohead e uma foto do Raul.



By Camila PAssatuto

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

*Interna Nº521*



Mãe sabe aquela música que ouvíamos?
Não tocou mais aqui na vitrola velha...
E lembra das tardes com nuvens rosas?
Está tudo tão cinza, mãe, tudo tão cinza.


Mentes esfoliadas pelo tempo me julgam,
Minha profissão envergonha meus filhos.
A terra secou e com ela minha branca pele...
Mãe sabe meu cabelo? Caiu, feito lágrima.

Eu e meu amor deitamos no meio da rua,
Mas ainda ficou algo cru e frio por fazer.
Mãe ela não é mais meu amor, esquece...
Está tudo tão cinza, mãe, tudo tão cinza.

Esconderijo de soldados e prostitutas...
Altar para minhas doces drogas injetáveis.
Mãe não deixe que me levem amarrada...
E sabe aquela música? Eu nunca ouvi...


By Camila Passatuto

Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

*Fim de Amor*


Minha última chance estava ali bem adiante.
O aeroporto te espera estático e antipático,
Minhas pernas tremiam pedindo para correr.
E eram nossos últimos beijos, inebriantes...

Boca rosada, olhos azuis, voz mimada, você.
Para nunca mais te ver, mas estava eu ali...
Lágrimas e risos eu lhe ofereci, uma aliança?
Para selar algo, que coragem faltou em anos.

O aeroporto te espera estático e antipático,
A hora chegou e seus passos me matam...
A cada segundo de distância uma lágrima
Corro, te paro, coloco em sua mão a aliança...

Sussurro - Não precisa um dia voltar, mas vá.
Um sorriso bobo,
Uma meia volta,
Vá nessa!


By Camila Passatuto

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

*Passos e Acasos*


Já falei de amores perdidos e dores incuráveis,
As dores passaram e os amores eram falsos.
Já gritei sobre a angústia e cuspi rancor por ai,
Jurei sentimentos que hoje não me servem mais.

Andei pela estrada com pulsos cortados,
Pulei de pontes e quebrei um anjo ao meio,
Arrumei a garagem e bebi muita gasolina.
Dormi ao lado de Orfeu desejando Afrodite.

Poetizei meus vícios, minhas mentiras, poetizei.

Sonhos psicodélicos me motivaram, oh Calíope!
Meninas me inspiraram e me deram seu mel.
Mulheres seguraram minhas mãos e meu lápis.
Já cometi, omiti, escolhi, escrevi apenas vivi...


By Camila Passatuto



*Calíope foi uma das nove musas da mitologia grega. Filha de Zeus e Mnemósine.

Domingo, 13 de Janeiro de 2008

*Amour Platonique*



Uma loucura, agora não sei onde te encontrar.
Uma madrugada rápida e um olhar sincero...
Não me pertence a pele delicada e sua boca.
Fotos tatuadas em meus ombros e muita fome.

Sentimento proibido e uma vontade de ser feliz,
Poderia imaginar nosso futuro e poucas lágrimas...
Mas o caminho nostálgico te leva à sua rainha.
Uma madrugada rápida e você nunca mais aqui.

Hoje é um verso quebrado
Uma tosca inspiração,
Minha procura carnavalesca pela menina.
Uma loucura que grito toda noite: Julia Julia Julia!


“-Mais uma dose e comprimidos?
Camila, acho que você exagera sempre
Seus versos, seus vícios e seus amores“.
Frase de uma amiga que me inspirou o post.


By Camila Passatuto

Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

*Perder Você*



A voz não é a mesma e os olhos inchados demais.
A fraca surpresa jorrou pela mesa do bar ao te ver,
Mão trêmula, minha paz assusta tua alma, amor.
Janelas fixas confundem a visão, você foge, inútil.

Posso sentir o grito...
Próximo quarteirão é lá...

Percorrer minha insanidade em passos leves.
O grito ecoa feito um vai e vem de infância,
Mão trêmula, só mais um passo e o grito...
Fugiu de palavras remediáveis.

Posso ver o grito...
Próximo passo é aqui...

A voz não é a mesma e os olhos inchados demais.
A fraca surpresa jorrou pela cidade ao te ver caída...
Sangue quente, meu abraço medonho e forçado.
A respiração parou...Agora pode continuar, amor.


By Camila Passatuto

Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

*Avesso de Guerrilha*



Amarrando o velho coturno com ares de rei
A cada laçada uma lembrança aguda o envolvia.
No tempo de cinzas talvez fosse ele o motivo...
Motivo do choro da menina humilhada e violentada.

Ancião de uma penosa esperança, ele segue seus dias.
A falta de um afago não se nota mais,
Soube guerrilhar contra seus sentimentos...
Hoje as cartas estão todas queimadas em súbito silêncio.

Pela janela um céu envergonhado de azul,
Campo de combate ao longe e aviões tão perto.
“O velho coturno te faz um rei tristonho, meu filho”,
Repete as palavras estúpidas em timbre enfraquecido.

Orgulho latente em olhos desesperados,
Mas o silêncio o leva pela mão.
Tempo de cinzas, o sinal toca, sente-se preparado.
Piedade contorcida, engolida quente feito saliva...


By Camila Passatuto